Mecânica de Nazaré
Segredos do Canhão
Por Gustavo Lermen em 12/01/18
Gustavo Lermen relata semana intensa no Canhão de Nazaré, o maior desfiladeiro submarino da Europa.

 

Esta semana quase tivemos um alerta para a realização da etapa do Big Wave Tour na Praia do Norte, em Nazaré, Portugal, mas as condições pareceram ser mais favoráveis para concretizar o Mavericks Challenge, na Califórnia (EUA).

Nazaré tem sido bombardeada com frequência, mas ainda não houve uma previsão que preenchesse todos os exigentes requisitos determinados pela WSL. Mesmo com muitos recursos disponíveis, é difícil prever com dias de antecedência o estado do mar por aqui.

Enquanto isso, assistimos vários big riders levarem o surfe de ondas gigantes a outro patamar.

Há poucos anos, quando víamos estas condições extremas, poucos encaravam o desafio ou não havia absolutamente ninguém na água. Agora, em 2018, já temos um certo crowd até nos dias mais assustadores e pelos vistos mais algumas medidas de segurança terão que ser aplicadas em breve.

A Câmara de Nazaré (prefeitura) disponibiliza todo o apoio em relação à estrutura necessária em terra, como equipe de bombeiros, salva-vidas, trator e funcionários. Dentro da água são os próprios surfistas e pilotos que organizam-se de acordo com as normas recomendadas.

 

Imagino que quem está descendo uma onda imensa não deve gostar quando um jet-ski cruza perpendicularmente a sua trajetória, a deformação na face da onda causada pelo rastro do jet pode originar uma queda com graves consequências.

Em Portugal, quando vemos imagens como estas que João Vidinha e seu novo projeto, Adrenaline Drone Footage, nos brindam no vídeo acima ficamos de boca aberta.

Parabéns aos atletas Marcelo Luna, Lucas Chumbinho, Sebastian Steudtner, Toby Cunningham, Jokke Sommer e Ramon Nilson Laureano.

Mecânica do Canhão de Nazaré

Basicamente o fenômeno Canhão de Nazaré acontece por quatro fatores: empolamento, refração, convergência e a morfologia do fundo oceânico. A onda aproxima-se da costa, encontra profundidades díspares e divide-se em duas ondas que propagam-se em velocidades diferentes.

 

A onda que segue à norte do Canhão desacelera por estar em uma zona mais rasa e a outra que desloca-se sobre as águas profundas do vale submarino mantém a velocidade e ultrapassa a onda que viaja sobre a plataforma.

 

 

Perto do farol elas encontram-se novamente, a onda que viaja a sul muda de direção, roda para cima da Praia do Norte e galga o degrau do Canhão.

 

Quando isto acontece as amplitudes das duas ondas se somam e ainda ganham mais uns metros devido ao retorno do imenso volume de água que vem da praia. Assim, na conjugação de um swell de grandes proporções com a direção oeste / noroeste e período longo surgem as famosas bestas que conhecemos.

 

Fonte Instituto Hidrográfico

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